Lula comemora 72 anos em caravana e nos braços do povo mineiro

Um aniversário especial. Assim pode ser definido o aniversário de 72 anos do ex-presidente Luiz InácioLula da Silva, comemorado nesta sexta-feira (17), em Montes Claros, Minas Gerais.

A união do ex-presidente com o povo para o aniversário aconteceu durante a caravana Lula pelo Brasil, etapa mineira. Milhares de pessoas compareceram à Praça da Catedral, na cidade de Minas Gerais, para cantar “parabéns”, ver de perto, abraçar, entregar presentes, receber com carinho e homenagear Lula.

Ao falar para o povo, Lula relembrou sua história e trajetória até a chegada à Presidência da República, em 2003. “Eu perdi as eleições para governador de São Paulo, perdi para o Collor, perdi para o FHC e cada vez que eu voltava pra casa eu ficava pensando: eu criei um partido para representar os trabalhadores, gostaria de ser presidente para provar que é possível, eu acho que a gente pode melhorar a vida do pobre. Eu nunca fiquei co raiva porque eu compreendia que não era simples um trabalhador comum querer ser presidente da República”, disse. 

O ex-presidente confessou ter sentido “medo” quando ganhou as eleições. “Confesso que eu nunca fiquei com tanto medo na vida como no dia que foi feita a apuração. Eu fiquei pensando: será que a gente vai dar conta? Eu sabia como que o povo trabalhador vivia, as coisas que eles desejavam. Eles não desejavam muita coisa. A gente só deseja ser tratado com respeito e dignidade. Hoje, eu tenho certeza que foi a energia que Deus depositou na alma de vocês que fez com que eu tivesse força para resistir”.

Durante sua fala ao povo, Lula lembrou, várias vezes, diálogos com Dona Marisa, falecida em fevereiro deste ano. Ele também citou a mãe, com quem disse ter aprendido a respeitar as pessoas e a ser respeitado. “Para vencer na vida, você não tem nunca que se achar melhor do que ninguém, mas você também não pode se achar inferior a ninguém”.

Os desmontes promovidos na educação, na vida do trabalhador, nas leis trabalhistas e na Previdência Social pelo atual governo golpista foram alvo de duras críticas do ex-presidente. “Nós temos que dizer em alto e bom som: Temer e deputados, se o Brasil não está arrecadando o suficiente para pagar os aposentados, a culpa é que Temer gastou 30 bilhões de reais comprando deputados para ficar”.

Sobre a perseguição jurídica e midiática que vem sofrendo, o ex-presidente citou casos de políticos que são investigados e que têm provas robustas contra eles. “Veja que absurdo. Eles já pegaram dinheiro de muita gente. Pegaram mala cheia de dinheiro no Geddel, no Cabral. Eles quebraram os meus digilos, invadiram minha casa, abriram televisão, levantaram colchão. Sabe o que eles acharam na minha casa? Vergonha que sobra”.

“Eu quero dizer que não estou acima da lei nem da justiça. Se eles estão acostumados a lidar com políticos ladrões, covardes, que enfiam o rabo entre as pernas…. eles vão ter que enfrentar um cidadão que não é corrupto e não tem medo deles”.

E voltou a cobrar um pedido de desculpas por tudo que vem sofrendo. “Eles deveriam ter coragem e pedir desculpa. Aqui (em Minas Gerais) acharam um helicóptero de cocaína que desapareceu. Todo mundo sabia o que era. Sabia de quem era o pó que tava lá dentro”, afirmou.

Os veículos de comunicação também receberam um recado do ex-presidente. “O Lula é uma síntese daquilo que são milhões e milhões de brasileiros. Se enfrentar o Lula é dificil, enfrentar os milhões de Lulas que já tem nesse país é impossível”.

Lula e a mudança no Brasil

Ao lado do companheiro Lula, a presidenta eleita Dilma Rousseff também relembrou feitos promovidos pelos governos do PT na Presidência da República e condenou os atuais desmontes.

“Eu sei que esse processo de impeachment que eu tive foi um golpe. Está cada vez mais claro que foi um golpe dos corruptos e daqueles que não querem que os homens e as mulheres desse país sejam livres, que não querem que os homens e as mulheres desse país tenham acesso às riquezas desse imenso e rico país em que nós vivemos”.

“O que está acontecendo agora é que eles querem que esse país seja só de uma minoria. Não seja da imensa maioria de sua população. O golpe não é um ato só. Começa com meu impeachment, prossegue quando eles aprovam aquela lei que limita o crescimento dos gastos em educação e saúde. Continua quando fazem as leis da chamada antireforma trabalhista, que transforma o regime de trabalho em escravidão”.

“A sina de lula é liderar essa nação. Não adianta querer impedir o Lula de chegar, existem milhões de Lulas que estarão lutando por ele nas ruas do Brasil”, disse Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Gleisi Hoffmann destacou a importância da caravana Lula pelo Brasil e ressaltou a relevância dos atos para a reconstrução do Brasil.

O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, também comemorou o aniversário de Lula ao lado do ex-presidente, no ato em Montes Claros. Ele relembrou as conquistas que a educação brasileira teve durante os governos do PT na Presidência da República, condenou os retrocessos e fez um alerta à juventude.

“Lula mudou a história da educação do nosso País. A gente precisa alertar a juventude, o nosso sonho estava sendo tornado realidade. Temos em 2018 a oportunidade de resolver essas coisas pelo voto”, falou Haddad.

Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara, criticou as iniciativas do governo golpista de Michel Temer, que tem promovido um verdadeiro desmonte em diversas áreas e em diversos programas. “De norte a sul do Brasil, o povo tá se levantando e não aceita mais essa exploração. Nós vamos virar esse jogo”.